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Relatório da ONU propõe "CPMF do clima"

Não foi só no Brasil que a CPMF voltou à baila. Um relatório da ONU propôs a criação de um imposto internacional sobre movimentações financeiras como forma de patrocinar o combate à mudança climática.
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Expansão da China compromete ecossistema

 Mercado chinês é tão importante para as economias da União Europeia e dos Estados Unidos, que os malefícios ocasionados ao meio ambiente são tratados como segundo plano
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Matar a natureza é matar o lucro

As empresas descobrem que a biodiversidade significa dinheiro em caixa e que a saúde do negócio está vinculada à saúde do planeta

Até pouco tempo atrás, as empresas costumavam atrelar seu nome às causas verdes principalmente como estratégia de marketing. À medida que o mundo tomava consciência das questões ambientais, em especial a degradação dos recursos naturais, demonstrar preocupação com o planeta era uma forma de lustrar a imagem da companhia e atrair os consumidores para suas marcas. Essa relação entre o mundo dos negócios e a natureza avançou dramaticamente. Se antes as empresas patrocinavam o reflorestamento de uma área ou reciclavam seu lixo, colocavam a conta na lista de despesas, sem esperar retorno financeiro. Hoje, os custos de ações como essas vão para a lista de investimentos, já que podem significar lucros e crescimento nos negócios. Conglomerados como a General Electric, o Walmart e a IBM mantêm projetos de ecoeficiência e de preservação do ambiente porque os consideram estratégicos para a própria sobrevivência. O que mudou? Para entender o fenômeno, tome-se como exemplo a Coca-Cola, uma das marcas mais valiosas do mundo.

Há dez anos, quando anunciou uma série de investimentos inéditos em projetos ambientais, a Coca-Cola não estava preocupada com o derretimento das geleiras do Ártico nem queria salvar os ursos-polares ameaçados de extinção. Diante de estudos que apontavam para a crescente escassez de água doce no planeta, a empresa se convenceu de que ignorar o problema poderia ser perigoso para o futuro de seu negócio. A água é a principal matéria-prima para a fabricação dos mais de 3 000 produtos da marca. A companhia injetou bilhões de dólares na criação de métodos e programas de reutilização e tratamento de água em suas fábricas, em mais de 200 países. Os resultados começaram a aparecer recentemente. Em cada uma das 43 unidades brasileiras, gastavam-se 5,5 litros de água para produzir 1 litro de refrigerante. Hoje esse gasto é de 2,04 litros. A redução representa uma economia de 500 000 reais ao ano, por fábrica. "Com a população mundial perto dos 9 bilhões e a água cada vez mais escassa, não tínhamos outro caminho a seguir", afirmou recentemente o presidente mundial da Coca-Cola, Muhtar Kent, em entrevista à revista Forbes.

"O aquecimento global, a escassez de água, a extinção das espécies e o despejo de produtos tóxicos afetaram profundamente o funcionamento da sociedade e também o das empresas", disse a VEJA o economista Andrew Winston, da Universidade Princeton, consultor de grandes companhias para questões ambientais. "Pela primeira vez na história, os empresários deparam com limites de crescimento reais impostos por questões relacionadas à natureza", ele completa. O mundo dos negócios e o mundo natural estão inextricavelmente ligados. Todo produto que chega ao consumidor, seja um carro, um tênis ou uma xícara de café, tem origem na extração ou colheita de bens da natureza. Esses bens, a água, as terras cultiváveis, as florestas, são finitos. Justamente nesse ponto reside o maior desafio para as empresas. Desde a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, o modelo econômico mundial privilegiou a produção em detrimento da preservação dos recursos naturais. Essa conta está sendo cobrada agora – e é bem cara. 


A destruição da biodiversidade nunca foi tão intensa. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado no mês passado, mais de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão ameaçados. Desse total, 35% são mangues e 40% florestas. Hoje, a demanda por recursos naturais excede em 35% a capacidade da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030 serão necessárias duas Terras para satisfazê-la. Entre 2000 e 2005, a devastação das florestas na América do Sul foi de 4,3 milhões de hectares, 3,5 milhões deles no Brasil. De acordo com a ONU, só o desmatamento e a degradação de áreas de mangue causam um prejuízo anual de 2,5 a 4,5 trilhões de dólares à economia global. Equivale a jogar no lixo um valor próximo ao PIB do Japão, o segundo maior do mundo.


Nesta semana, em Busan, na Coreia do Sul, representantes de um conjunto de países estarão reunidos para discutir a criação de um grupo destinado a estudar as consequências das alterações na biodiversidade do planeta. Será um organismo semelhante ao IPCC, da ONU, que estuda as mudanças climáticas e seus efeitos. O material de trabalho do grupo a ser formado é o relatório "Aspectos econômicos dos ecossistemas e da biodiversidade", elaborado por treze países, entre desenvolvidos e emergentes, cuja última parte será divulgada em outubro. Estima-se que ele terá o mesmo impacto do estudo sobre as mudanças climáticas divulgado em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, que norteou boa parte das pesquisas sobre o tema a partir de então. A criação da nova equipe se justifica porque os problemas na biodiversidade, em grande parte, ocorrem em pontos específicos do planeta, enquanto a questão do clima tem alcance global.

Calcular, em dinheiro, o prejuízo da destruição dos recursos naturais não é tarefa fácil. Primeiro, é preciso atribuir um valor monetário a toda a biodiversidade da Terra. O economista Robert Costanza, da Universidade de Vermont, foi o primeiro a fazê-lo. Em 1997, ele concluiu que a biodiversidade do planeta valia 33 trilhões de dólares. São 45 trilhões de dólares, em valores atuais. Para chegar a essa quantia, estimou-se quanto custariam os serviços prestados gratuitamente pela natureza ao homem, como a água limpa, o solo fértil para plantio de alimentos, a purificação do ar pelas florestas, a polinização e outros recursos naturais. Foram avaliadas dezessete categorias, que ganharam o nome de serviços ambientais. "A conta é complicada e pode implicar erros pontuais, mas até agora é a única maneira eficiente que os ambientalistas e economistas encontraram de mostrar para a sociedade e para as empresas quanto está sendo desperdiçado", diz Ernesto Cavasin, especialista em sustentabilidade, da consultoria PricewaterhouseCoopers.

A criação de índices de sustentabilidade nas principais bolsas de valores do mundo reflete a valorização das companhias verdes. Quando o mercado de capitais, centro financiador do desenvolvimento econômico, cria um índice, dá um recado explícito às empresas do que ele procura. Nesse caso, o mercado deixou claro que a agenda socioambiental não pode ser ignorada pelas empresas que querem prosperar. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o índice de sustentabilidade (ISE), criado há cinco anos, mostra resultados melhores do que o índice tradicional. No ano passado, as ações medidas pelo índice Ibovespa subiram 18,5%, enquanto as medidas pelo ISE da Bovespa aumentaram 24,7%. Atualmente, 34 empresas integram essa carteira de ações. "O mundo financeiro se move de acordo com a sua percepção de risco. Aos olhos dos investidores, a falta de preocupação ambiental de uma companhia denota falta de zelo com o próprio patrimônio", explica Sônia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa.

Há quinze anos, a Sadia começou a ter problemas com as fazendas que lhe fornecem os porcos para a produção de alimentos industrializados. Os ambientalistas queixavam-se de que o dejeto dos animais, rico em metano, um dos principais gases do efeito estufa, era descartado no ambiente sem controle algum. As reclamações trouxeram muitas dores de cabeça para a Sadia, mas a companhia conseguiu tirar vantagem da situação. Primeiro, desenvolveu uma técnica para transformar os dejetos em adubo e depois em energia elétrica. O metano, quando queimado, tem o seu impacto na atmosfera reduzido em 21 vezes. Com 1 086 suinocultores parceiros do projeto, a Sadia pretende, agora, lucrar com a iniciativa com a venda de créditos de carbono.

Um marco na adesão das empresas à economia verde se deu em 2005, quando a General Electric e o Walmart, duas das maiores empresas do mundo, começaram a reformulação em seus negócios. A GE lançou uma linha batizada de Ecomagination, inicialmente com dezessete produtos. Eles aliavam um menor custo de produção a um menor impacto no ambiente. Hoje, a linha conta com oitenta produtos, que vão de lâmpadas fluorescentes a motores de trem que emitem menos CO2 e consomem menos água. Em 2008, a empresa lucrou, só com a linha verde, 17 bilhões de dólares, 21% a mais do que no ano anterior. Com o lema "Aqui preservar é um bom negócio", o Walmart começou uma transformação no modelo tradicional de varejo. Dizendo-se preocupado com o futuro do planeta, o então presidente mundial da rede, Lee Scott, anunciou que a empresa deveria, a longo prazo, utilizar em suas lojas 100% de energia renovável, reduzir a zero a produção de lixo em sua operação e vender apenas produtos que não ameaçassem a natureza. Desde então, a maioria das lojas do Walmart conseguiu economizar 25% de energia. No Brasil, 140 das 388 lojas encaminham seus resíduos para reciclagem. Eles são transformados em ração para animais ou adubo.

Os caminhos até uma economia verde e sustentável começaram a ser traçados na década de 70, quando os efeitos danosos da industrialização no ambiente se tornaram mais visíveis. Em 1987, a expressão desenvolvimento sustentável foi definida no relatório "Nosso futuro comum", também conhecido como Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU. Surgia a ideia de que o desenvolvimento não deveria implicar riscos à natureza a ponto de prejudicar as gerações futuras. No decorrer da década de 90, com as discussões em torno do aquecimento global, a sociedade começou a pressionar as instituições financeiras para boicotar grandes poluidores. Surgiu assim, em 2002, o tratado Princípios do Equador, a primeira intervenção real do setor econômico na questão da preservação da natureza. No acordo, dez dos maiores bancos do mundo se comprometeram a não emprestar dinheiro a empresas que desprezassem as preocupações com o ambiente em suas atividades. Era questão de tempo para que, ao longo da década, as empresas de todos os ramos de atividade descobrissem que destruir a natureza é reduzir seus próprios lucros.

Varejo sem desperdício 





No ano passado, a rede de supermercados Pão de Açúcar investiu 60 milhões de reais em iniciativas sustentáveis. As mais vistosas são as sete lojas verdes (acima) espalhadas pelo país. Elas são equipadas com lâmpadas de LED, mais econômicas. Os tetos têm um revestimento especial para manter a temperatura estável no ambiente, reduzindo o consumo de eletricidade com ar condicionado. Já os carrinhos dessas lojas são feitos de garrafas PET recicladas. Juntas, as unidades proporcionam ao grupo uma economia de 140 000 reais por mês
 










 O executivo mais verde do mundo



Jeffrey Immelt, que em 2001 assumiu a presidência mundial da General Electric no lugar do lendário Jack Welch, está à frente da maior reformulação da história da companhia. Ele é o idealizador do selo verde Ecomagination, que hoje conta com oitenta produtos. Eles vão de lâmpadas fluorescentes a turbinas (acima) que emitem menos gases do efeito estufa


  O plástico de cana-de-açúcar


A petroquímica Braskem, no Rio Grande do Sul, anunciou no ano passado a criação do polietileno feito com cana-de-açúcar (acima). Essa é uma das resinas mais utilizadas na fabricação de embalagens flexíveis e normalmente é feita com petróleo. Somente na construção da fábrica do novo produto (à dir.) foram investidos 500 milhões de reais. O polietileno de cana começa a ser produzido em escala industrial a partir de setembro



Fonte: Veja.com
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ONU ajuda países pobres a reduzir as emissões do efeito estufa

As indústrias que consomem energia, de forma desenfreada, vêm se intensificando significativamente nos países em desenvolvimento. Por conta disso, a ONU elaborou um projeto voltado para um plano tecnológico que capture e armazene as emissões de gases do aquecimento global. Esse projeto seria um passo crucial para ajudar os países pobres a se adaptarem à nova situação climática e, principalmente, evitar alterações climáticas perigosas.

- Há ainda lacunas a serem preenchidas no conhecimento significativo em direção a uma implementação comercial da captura e armazenamento de carbono (CCS - Global Carbon Capture e Storage Institute), especialmente na indústria, disse, em Viena, o Diretor-Geral das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), Kandeh K. Yumkella, ao anunciar o mapa global de tecnologia para CCS para processos industriais.



- Esse projeto vai ajudar a superar estes obstáculos através do desenvolvimento de um roteiro de tecnologia para CCS em diferentes setores da indústria, e ajudar os países em desenvolvimento na sua transição para uma economia de baixo carbono.



O projeto vai proporcionar uma visão do armazenamento CCS industrial até 2050, a ser implementado em estreita cooperação com a Agência Internacional de Energia (AIE), uma organização intergovernamental que atua como conselheiro de política de energia para 28 países mais industrializados. O roteiro vai informar aos responsáveis políticos e aos investidores sobre o potencial do CCS e as metas concretas que precisam ser realizados para averiguar essa potência.



Estudos recentes fazem com que os cientistas acreditem que é necessário, para evitar alterações climáticas perigosas, uma maior contribuição da CCS, com cerca de 20% da redução global necessária para metade dos gases do efeito estufa até 2050.



Segundo a UN News Centre, embora tenha havido um esforço significativo para avaliar essa tecnologia, no contexto da geração de energia, consideravelmente menos atenção tem sido dada às aplicações industriais, apesar do potencial significativo de redução das emissões.



Nick Otter, chefe do Instituto Global CCS, observou que muitas pessoas pensam da CCS como uma opção de mitigação de gases com efeito de carvão em centrais elétricas apenas.



- Eles não percebem que o CCS é uma opção de mitigação de gases com efeito de qualquer fonte de grandes empresas industriais de CO2. Há, portanto, uma necessidade para o setor industrial de uma análise específica, disse ele, que ainda afirma – Os países em desenvolvimento precisam ser parte da solução, por isso é essencial que eles estejam envolvidos.

Por Karlla Gelabert



Fonte: UN News Centre

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Investimentos na adaptação às novas mudanças climáticas

Conforme acordo estabelecido no encontro em Copenhague no ano passado, daqui a três meses, os países em desenvolvimento já podem requerer parte dos 30 bilhões de dólares em ajuda climática prometidos pelos países ricos, lembra nesta segunda-feira o chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), Achim Steiner.

Para ajudar os países em desenvolvimento a adaptar-se às mudanças climáticas, esse encontro de Copenhague, além de ter obtido um pacto legalmente compulsório para reduzir as emissões de gases-estufa, os países desenvolvidos também prometeram 30 bilhões de dólares em "financiamento a começar rapidamente" para 2010-2012.

Segundo Steiner, o mecanismo aproximado que permita que os países em desenvolvimento encaminhem pedidos que envolva dinheiro, pode estar pronto dentro de três meses.

- Alguns dias atrás um país membro me perguntou se eu poderia lhe dar o telefone de alguém para quem pudesse telefonar sobre esses 30 bilhões de dólares. Como país em desenvolvimento, ele está tentando descobrir 'com quem falo? Para quem neste universo eu devo ligar?', disse Steiner.

- Se esse número de telefone não existir dentro de três meses, então prevejo que essa parte do acordo estará com problemas. Mas acho que haverá esse número, disse ele durante uma importante conferência da ONU sobre o meio ambiente que está acontecendo em Nusa Dua, na ilha de Bali, na Indonésia.

Steiner disse também que os países estão trabalhando em ritmo intenso para definir o funcionamento do mecanismo necessário, e que resolver isso rapidamente ajudará a reduzir a desconfiança profunda entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Segundo uma pesquisa feita junto a Reuters da Indonésia, haverá uma Reforma nas regras de cumprimento das leis ambientais.

Além de os países mais pobres reclamarem de anos e anos de promessas de dinheiro para o clima feito pelos países ricos não serem cumpridas, eles atribuem também a maior parte da poluição mundial aos países ricos.

- No momento, não existe um pote no qual colocar todo o dinheiro. A questão que vai se colocar agora é: 'os países vão agir bilateralmente e fazer remessas de um país a outro, ou de um país ao Banco Mundial ou ao sistema das Nações Unidas?', pergunta o chefe da Unep.

Steiner acrescenta a idéia de que a maneira como o mundo enfrenta as mudanças climáticas precisa ser reformada e sugeriu que a Organização Internacional do Trabalho, a Organização Mundial do Comércio e a Organização Mundial da Saúde podem servir de inspiração.

Alguns países ricos até sugeriram, pela garantia de seu dinheiro bem empenhado, que um novo organismo internacional possa impor sanções aos países que não cumprirem as leis ambientais internacionais. O modelo seguido poderia ser o da OMC, mas Steiner disse que sanções não são uma prioridade.

- Essa poderia ser a medida última em termos de cobrar responsabilidade uns dos outros, mas eu não priorizaria as sanções na agenda, disse ele.

Fonte: NUSA DUA, Indonésia (Reuters)
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